: : Gee, o Fiat Prêmio CSL '93 : :

Eu não vou perder o nosso tempo tentando me justificar do motivo disto não ter acontecido antes. Simplesmente não era para acontecer.
Como aquela namoradinha que você poderia ter tido e não teve pois era tímido demais para chamar pra sair. Como aquele sorvete que você poderia ter tomado, mas passou rápido demais pela loja e ficou com preguiça de voltar. Como aquela peça que você tanto quis, mas quando juntou dinheiro para comprar já havia sido vendida... não era para ser. Aceite. Dói menos e não se martirize por rancor.

Eu venho ensaiando ensaiar o Prêmio em algumas fotografias mais elaboradas, mas sempre me saboto para que outras coisas possam acontecer. Ao longo destes mais de 06 anos de parceria, fiz apenas algumas fotos ruins de celular e poucas que efetivamente valessem um texto. Começo esta postagem ainda sem nenhuma foto do ensaio que aqui disponibilizo, mas mais pela lembrança da obrigação moral de fazê-lo e não deixar essas palavras órfãs.

Desde a última postagem citando este carro, muitas coisas aconteceram e por falta de vergonha na minha cara, deixei de atualizar o blog com os feitos. Na verdade, nada de muito extenso foi feito. Houveram upgrades, houveram problemas, houveram quebras, houveram reparos, houveram perrengues... houve tudo isso e, como sempre, contei com a ajuda e apoio de pessoas especiais em cada momento para que tudo continuasse bem, o mundo girando e o carro andando.


Não, amigos... andar de carro "velho" todo santo dia não é o mar de rosas que vocês pintam em suas mentes ao ler textos apaixonados de alguém que gosta de redacionar coisas sobre carros... "velhos". O uso diário deste tipo de veículo requer paciência, tato, paciência, saco, dedicação, mais paciência, alguns contatinhos, um pouco de dinheiro e alguma compreensão da esposa, pais e parentes próximos, além de mais alguns outros adjetivos.

Como há tempos não atualizo nada do carro por aqui, há quase 1 ano atrás, na lista de "últimos perrengues", tive que trocar o feixe de molas traseiro que quebrou (sim, quebrou) chegando perto de casa. Não houveram danos, mas o carro ficou parado algumas semanas até que consegui comprar outro com um amigo. Desarqueei o feixe novo e instalei no lugar, mas o carro ficou com a traseira um pouco mais baixo do que antes. Ao encher o tanque, baixou ainda mais. Problema? Não! Regulei as roscas da suspensão dianteira, alinhei e agora o carro está ainda mais baixo, bonito e... desconfortável. Exige aquele cuidado ao estacionar e os caminhos são percorridos com mais cautela. Em compensação, fazer curvas ficou ainda mais divertido!

Neste tempo minha mãe submeteu-se à uma cirurgia e ficou quase um mês sem dirigir. Fiquei com o carro dela (Ford Fiesta) enquanto o Prêmio esperava peças. Mesmo desconectada, a bateria descarregou e acabou sendo substituída. Após a troca do feixe de molas e da bateria, passei a usar o carro umas duas vezes por semana, mas a vida... ahhh a vida é uma caixinha de surpresas! Uma mangueira do sistema de arrefecimento rasgou por conta do pouco espaço do cofre e da pouca criatividade dos mecânicos que fizeram a substituição anterior.
Me emputeci pra caralho (não era a primeira vez que isso me acontecia com este carro) e resolvi que eu mesmo trocaria TODAS as mangueiras de arrefecimento, vácuo e linha combustível do cofre. Foram cerca de 3 noites de trabalho, mas todas as mangueiras DO COFRE foram substituídas.

Mas a vida... ah, meus amigos... a vida é uma caixinha de surpresas!!!
Depois de algumas semanas, resolvi lavar e encerar o carro. Ao manobra-lo na garagem, algumas gotas escorrem do cofre e sujam o chão da garagem. Encontrei um vazamento na linha de combustível devido à uma das mangueiras de Nylon (Tecalon) que vem por baixo do carro e leva o combustível para a linha do cofre ter ressecado junto à uma presilha e se rompido perto do coletor de escape. Por pouco o Prêmio não faria um cosplay de Fiat Tipo e terminaria chamuscado. Chateado com a situação e buscando idéias, fui aconselhado por alguns amigos a manter a linha original em nylon e utilizar anilhas de pressão. Bonito, prático, rápido, durável e seguro. Só precisaria de ajuda para a empreitada.

Conversando com o amigo Eduardo Silveira, ele me ofereceu uma vareta de nível de óleo do Uno 1.6R MPI que ele tinha guardada e uma ajuda. Ele queria fazer algumas coisas no carro dele e aproveitamos o feriado de 7 de Setembro para dar uma ajeitada nos carros.
Após um dia inteiro de trabalho, ambos os carros estavam funcionando melhor do que iniciaram aquele dia.
Ganhei do amigo uma junta de cárter da Sabó e troquei logo na semana seguinte.


Essa empreitada toda foi postada na minha timeline do Facebook e acompanhada por uma galera que sempre dava dicas e curte o progresso do carro. Então meu primo me manda uma mensagem:
- Rafa, tenho um par de falantes e um módulo da época que eu tinha o Gol bolinha (idos de 1996). Se quiser colocar no Prêmio, só buscar lá em casa! São teus!
- AGORA!
Fui lá buscar o conjunto e para minha surpresa estavam melhores do que eu esperava.
Um par de TS-A6980 e um amplificador Corzus SL-350 Black Line.
Além destes, tenho que buscar na casa da minha tia um outros falantes e um módulo que ele me deu, mas não sabe as especificações.
Essa família é a mesma que em 1992/93 me levou para dar minha primeira volta de carro 0 km (um Fiat Prêmio CSL exatamente igual ao meu).
Meu primo entrou no carro, sentou e acariciou os bancos, empunhou o painel e eram nítidas suas lembranças causando emoções ao serem contadas.
- Foi naquele carro que eu aprendi a dirigir. Viajamos muito neste carro para visitar meus avós e sei que minha mãe vai ficar emocionada ao ver o cuidado com o qual você cuida dele. - disse meu primo.
- No final de semana vamos buscar os falantes na casa dela e vou de Prêmio pra ela dar uma volta. Enquanto isso, vai você.
Entreguei a chave na mão dele e com o filhinho do lado eles foram dar um passeio.
Carro baixo, duro, sem assistência, cheiro de gasolina... e o pequeno (também se chama Rafael) voltou eufórico:
- TIO!!! Quero andar de novo no seu carro!!!
Foi uma satisfação imensa.


Atualizando as atualizações
Ocorre que, como disse no início do texto, a vida de quem anda de carro antigo/velho, não é o mar de rosas que vocês imaginam...
O Prêmio consumia muito, desregulava com facilidade no clima louco de Brasília/DF e não andava como eu queria.
Descobri que o segundo estágio do carburador TLDF não estava lá estas coisas e consegui com alguma engenhosidade passa-lo para acionamento mecânico. Ficou ótimo... mas ainda mais beberrão, pois acionar o segundo estágio era uma obrigatoriedade divertida agora!

Rodou assim por alguns meses, até que num belo dia o carro passou a funcionar quadrado, irregular e não havia jeito de acerta-lo. Em consulta a amigos, diagnosticamos que o distribuidor havia partido desta para uma melhor. Foi a gota d´água para que a fase mais importante desse projeto acontecesse: Injeção eletrônica!






Passa pro lado para ver as fotos da flauta de combustível

Refizemos a linha de combustível em nylon (era de 6mm e passei para 8mm, seguindo padrão original), com conexões prensadas e mangueiras lonadas reforçadas. Tudo para evitar dores de cabeça. Todas as mangueiras de vácuo, abastecimento... tudo foi trocado.

Entreguei tudo para o Marcony e após algum trabalho, algumas adaptações e alguma paciência, ele me liga:
- Precisamos fazer o escape do carro. Este aqui não faz junção com o antigo. Ou vai ter que fazer uma flange ou muda logo tudo pra 2".
- Mas já está andando?
- Já, mas o barulho é muito alto pois tá no cano reto.



Eu não me aguentava de ansiedade.
Mesmo com fotos e vídeos enviados, eu ainda queria ver o carro, andar no carro, matar a saudade...
Combinamos de ir até à 2001 Escapamentos, loja que o Marcony recomendou e, após algumas conversas, decidi fazer o escape completo com canos de 2,0", um flexível, com apenas um abafador e saída de 2,5".
Como eu já possuía o coletor de escape 4x1 da Copa Uno, que me fora cedido pelos amigos Dennis Zanolla e Flávio Fraga, o Marcony já tratou de instala-lo quando removeu o coletor de admissão e o carburador.

Agora dispenso o uso da buzina em troca de uma acelerada.

E então, numa noite o Marcony me liga novamente:
- Preciso da sua ajuda aqui pra uma coisa.
- O que foi? Tenho que já comprar algo pra levar?
- Só vem.

Chegando lá, alguns últimos arremates... e a chave na mão:
- Precisa abastecer. Vamos no posto e você volta dirigindo.

Completei o tanque e mal me aguentava de ansiedade! Cidade vazia, pista livre, noite fria... confesso que não fui um bom exemplo naquele momento.


Mais alguns ajustes e em outro dia pude trazer o carro para casa. Agora era comigo. Ajustar, cortar, alinhar, passar fio por outro canto, mudar uma besteirinha ou outra acolá... tudo o que eu gosto realmente de fazer no carro estava à minha disposição e, em caso de dúvidas, sempre perturbava os amigos. Estava curtindo o carro e suas "problemáticas".





Cold start

Infelizmente, numa volta para casa mais apressada, uma mangueira de água se rompeu. Eu estava com minhas duas filhas dentro do carro e não estava disposto a parar no meio de uma rua pouco movimentada para ficar mexendo em carro. Fomos pra casa e eu já esperava pelo pior. A Pandoo apontava problema, o carro falhava... mas chegou.
O custo? Um cabeçote, uma mangueira e mais alguns dias parado.

Resolvi que faria tudo na garagem de casa.
Falei com o Sávio, peguei algumas dicas e ele se dispôs a ajudar no que fosse preciso.
Combinamos que eu faria toda a parte de remoção do cabeçote, levaria para retífica e ele me ajudaria na montagem e ajustes necessários.
Foram mais 4 semanas parado para que tudo fosse feito com calma e tranquilidade.


A mangueira do ar quente que rasgou.







Viva de novo, mais uma vez e novamente!!!

Cabeçote feito e algumas cervejas depois, o carro voltava à vida com algumas peças pintadas e um visual de cofre de motor mais limpo, organizado e sutil. Tudo em preto fosco, alguns detalhes cromados, outros manchados pelo tempo... mas gostei bastante do resultado.

Deste dia até hoje, apenas mais alguns ajustes na injeção eletrônica, uma bela revisão na suspensão e muita diversão.

Comecei então a curtir o carro, aproveita-lo melhor nesta nova etapa, mas ainda assim alguns pensamentos pecaminosos me consumiam (e ainda consomem).
Fabriquei o suporte da TPS para substituição do modelo original do Uno Turbo que trabalha sem a pista resistiva.
Este TPS só marca 0 ou 100%, sem qualquer escala de progressividade.
Um modelo novo da marca DS modelo 1908 vai entrar no lugar algum dia desses, juntamente com outros mimos que estão por vir e um novo acerto para melhor economia e progressividade em alguns pontos.
Quem sabe role até um dinamômetro?!


Aarrasta pro lado para conferir a "talhagem" do suporte do TPS

Então, um belo dia, uma boa acelerada, uma luz de óleo acesa e um cheiro forte no ar me trazem nova surpresa.
O tampão de reposição do óleo simplesmente saiu voando e desapareceu. O cofre do motor ficou todo lambuzado. Desliguei e removi a bateria, protegi a bobina, tampei a admissão e o jeito foi partir pra cima com desengraxante, detergente e muita água sob pressão.
Ficou novo de novo.


Mamíferos, isso foi uma "síntese" de tudo o que rolou, do jeito que eu gosto de relatar, deixando claro para vocês.
Peço desculpas pela falta de atualizações, pouca movimentação no blog e falta de clareza em alguns pontos.
Não vou prometer melhoras. Não vou prometer postagens regulares. Não vou prometer nada.
Quem se ilude com promessas é adolescente.
Boa parte da galera que acompanha o blog há tempos também teve várias mudanças na vida, no trabalho, de carros, de amores... então conseguem compreender a ausência.




Uma lembrança para recordar
Apesar de não ser mais minha, a Gorete (o Fusca'76) ainda recebe minha atenção e cuidados.
Num domingo destes foi dia de levar uma cerveja pra casa do tio que me comprou o carro e passar o domingo desmontando o Fusca quase que por inteiro para poder trocar toda a linha de combustível (como se deve. Tô ficando craque nisso!).
A linha antiga possuía várias emendas, estava estrangulada e não havia "passa-fio" em algum dos pontos onde a mangueira passa pela carroceria.
Na época da montagem eu não me liguei nisso e somente observando as fotos antigas pude perceber que o serviço não ficou como eu gostaria.

Como ele viaja bastante, o carro ficou parado por cerca de 1 mês e não queria mais funcionar. Depois do retorno de sua viagem, foram mais 2 meses de hibernação até conseguirmos casar as agendas.
Juntei "a fome com a vontade de comer" e falei para trocarmos tudo, desde o tanque até os carburadores.
A linha agora não usa mais mangueiras, exceto no cofre do motor e na saída do tanque. É toda em nylon (Tecalon) de 6 mm e as mangueiras agora são lonadas. As emendas entre o Tecalon e as mangueiras são feitas com anilhas de pressão (do msm jeito que fiz no Prêmio) e abraçadeiras do tamanho correto.


Testamos e nada de vazamento, então regulei os carburas e voltou a funcionar como um reloginho!
Infelizmente não tirei foto do processo pois eu estava imundo e correndo pois só teria aquele dia para começar e finalizar tudo.

Ele pediu que eu cuidasse do carro, arrumasse tudo e devolvesse melhor do que estava.
Sem pressa e com esmero.

Assim o Fusca voltou lá para casa, mas não como antes. Chegou andando, já desmontei muita coisa e o carro está há mais de um ano parado, sem previsão de volta. Eu tenho outros projetos em mente, mas ainda quero dar continuidade a ele... e muita água rolou depois disso.

Devagarinho vai ficando como eu quero/queria.

Enorme abraço a todos!

: : [Youtube] Novo canal do blog e rolê de Prêmio CSL : :

Olá, mamíferos!!!
Para quem achou que o blog tinha acabado, SE FODERAM!!!
De uma forma mais dinâmica e envolvente, resolvi tratar as questões que aqui abordo por meio de vídeos.
SIM!!! Me rendi ao YouTube e agora começarei a produzir vídeos em conjunto com as fotos e textos que já eram apresentadas aqui anteriormente.


O primeiro vídeo é uma apresentação on board da Gee, o Fiat Prêmio CSL 1.6 ano 1993 que vocês já tanto conhecem.


Não esperem algo rebuscado, cheio de projeções, imagens 3D, hologramas e nem nudes.
Será algo simples, uma conversa informal, um bate-papo descontraído entre amigos e alguns relatos cotidianos.
Não tenho equipamento para algo profissional, mas a vontade de fazer algo bacana e testar novidades deste meio que tanto nos fascina é o que nos move.

Acessem o canal, espero sua inscrição e seu like!
Um enorme abraço a todos!

: : Volkswagen SP2 : :

Mamíferos, eis mais um tapa na cara com luva de pelica.


Foto: FLGNTLT

Criamos o projeto, desenvolvemos o veículo, colocamos pra rodar, tornou-se objeto de desejo, é cobiçado por entusiastas de todas as idades, apreciado no mundo inteiro... e os gringos da Kultblech vieram, levaram pra casa e fizeram o que ninguém mais fez por aqui.


Vídeo Sourkrauts


O projeto é simples e essa é justamente a beleza do negócio. Um carro bem conservado, umas belas rodas, uma base confiável, acessórios escolhidos a dedo (gaiola, spoiler, escape ignorante...) e uma paixão intercontinental.
Uma receita simples como um bom churrasco, mas se não tiver um bom churrasqueiro, até picanha fica ruim!

: : Ford Escort XR3 : :

Quando a galera do canal Movie Dream postou o ensaio completo deste belo Ford Escort XR3 eu já estava embasbacado. O modelo é considerado um dos primeiros esportivos nacionais e possui uma série de itens aerodinâmicos diferenciados, que em conjunto com o motor CHT 1.6L de 76,5cv (não muito esportivo) tornaram esta versão uma das mais cobiçadas do mercado nacional.


Então eles publicaram o vídeo e o resultado é o casamento espetacular de um conjunto bacana de imagens, um som pesado, um carro apaixonante e uma customização de tirar o chapéu!

O trabalho realizado consiste basicamente em conservar os aspectos originais que caracterizam um XR3 da década de 80, um conjunto de suspensão a ar e a "cereja do bolo" fica por conta do jogo de rodas originais do modelo alteradas para as medidas 7,5x15" na dianterira e 8,0x15" na traseira, batizadas de DKmode Mickey Mouse.


Uma combinação capaz de mexer com o coração de qualquer um!
Parabéns aos envolvidos!

: : Fiat Uno 2.1 16v Turbo Carbon : :

Mamíferos, não me xinguem! Eu sei o quanto é legal acompanhar um projeto e também sei o quanto é frustrante quando perdemos as atualizações ou o dono desiste do projeto. Mas calma, calma... não é o caso aqui!
Apesar do hiato pelo qual este famigerado blog passa, vez ou outra ainda tenho um pouco de gasolina injetada diretamente na boca do carburador para algumas partidas, letras, linhas e aceleradas!


Acompanhar a evolução do projeto do amigo Daniel Silveira é uma honra. Apesar da correria cotidiana, o contato por meios virtuais ajuda bastante na discussão da evolução de seu Fiat Uno Carbon.




Recentemente fizemos algumas fotos que foram diretamente publicadas no Facebook do blog e até causaram certo alarde, mas nada mais certo e sensato do que coloca-las aqui sem supressão e sem restrições, além de algumas informações extras que só quem acessa o blog saberá, pois são coisas que eu lembro do projeto, mas não foram citadas em outros locais.

Basicamente o projeto permanece com a mesma essência, mas em constante evolução.






:: MODS & TECHS ::

Motor e câmbio do Tempra 16v
Coletor PHMOTORSPORT
Turbina Master Power 6164
Pistão 87mm Powertech
Biela SCAT 6"
Polias reguláveis Belquip
Injeção Fueltech FT400
Bicos FORD Racing 160lb
Bobinas individuais Hitachi
Câmbio com salada de engrenagens Fiat e blocante Locker
Potência estimada 400cv

Suspensão do Uno Turbo c/ barras anti torção
Buchas de P.U. AJ Buchas Especiais
Amortecedores Fênix com regulagem de altura, pressão e cambagem
Molas dianteiras Red Coil

Rodas Wedsport TC105N 15x8
Pneus TOYO R888 195/50
Freios dianteiros do Marea Turbo com discos 285x26 frisados
Freios traseiros do Tempra Turbo
Pastilhas EBC Red Stuff
Fluido Pentosin Racing DOT4

Bancos Sparco Sprint V
Cintos 4 pontos Sabelt
Volante Momo Daytona II
Dashboard Stack ST8100
Rollcage em aço inox

Atualmente a carroceria conta com capô, pára-lamas dianteiros, envolvente dianteiros, saias laterais, envolventes traseiros, tampa traseira e aerofólio em fibra de carbono.
A ideia é trocar todos os painéis e peças por carbono, incluindo portas, quartos traseiros, teto e para-choques
Carro atualmente montado com estepe, ferramentas e 58 litros de combustível pesa 907kg

Melhor tempo nos 402m - 11,9s
Melhor tempo nos 201m - 8,07s

: : Você precisa de um carro (diário) clássico : :

Minha avó costumava dizer que "se não vai pelo amor, vai pela dor" toda vez que a netaiada não queria tomar aquelas batidas de folhas que ela fazia. Eram chá de mastruz, boldo e ervas que desciam garganta abaixo por vontade própria ou por força bruta daquela velha senhora que nos forçava goela abaixo. Embrulhavam o estômago e arrepiavam até os cabelos das unhas. Era ruim, mas a eficiência não-cientificamente-comprovada daquilo fazia a velhinha ter a certeza que estava cuidando bem de seus netos. Pelo sim, pelo não, todos estamos vivos e (quase) sem vermes.

Dia desses estava me curando de uma ressaca e me lembrando daqueles chás "milagrosos" da vó. Lembrei ainda da época em que eu tinha um pouco mais de tempo para escrever noite adentro sobre carros e frivolidades. Ainda revirando memórias, lembrei-me de quando larguei um pouco de lado as teclas e encarei as ferramentas para começar meu primeiro projeto (a Gorete). Naquela época eu não tinha dinheiro, carro, tempo e muito menos experiência prática com motores e peças (ok, ainda não tenho tanto).

Dividia um Fiat Siena 2008 com a patroa no cotidiano e com as reviravoltas da vida, passei a dedicar-me ainda mais no trabalho e, consequentemente, precisava ainda mais de um carro. Conseguimos para a empresa um Ford Fiesta 2008 e este passou a ser meu carro de uso diário. O dividia com os funcionários no horário de expediente, mas sempre ia e voltava com ele para casa. Enquanto isso, o Fusca ia seguindo a passos trôpegos e lentos, mas a minha vontade de andar num carro antigo aos finais de semana e vez ou outra durante ela só aumentavam exponencialmente a cada peça adquirida, a cada planejamento executado e a cada parafuso apertado. Ainda era o segundo ano de projeto do Fusca e ele só andaria honrosamente após mais uns três anos dali. O Fiesta me servia muito bem, mas dividi-lo com outras pessoas que não zelavam por ele na empresa me deixavam desgostoso, além de ser um carro completamente insosso.

Queria um carro pra mim, meu, só meu, que ninguém mais dirigisse ou tivesse que dividir.


De volta aos anos 90

No verão de 2012 chegou o Fiat Prêmio CSL 1993 que vocês conhecem como Gee e a história dela vinha sendo embaralhada, mesclada e misturada com a do Fusca. Como o Fiesta foi vendido para darmos uma melhorada no ambiente da empresa e o Fusca foi embora para dar lugar ao telhado da casa que estávamos construindo, o Siena 2008 da patroa e o Fiat Prêmio 1993 foram os únicos sobreviventes desta epopeia que é a construção de uma casa ($$$ se esvai dos bolsos mais do que a gasolina do tanque de um dragster com acelerador à pleno).

Há cerca de dois anos que uso o Prêmio D I A R I A M E N T E (papo de 50 km/dia) e tento sempre mantê-lo em boa forma e sempre com as manutenções em dia. Confesso a vocês que fiquei surpreso com a desenvoltura do pequeno sedan e seu motor argentino de 1,6 litros. Não anda bem (não como um 1,6 L atual), não consome pouco (7,5 km/l), não tem regalias assistencialistas (ABS? EBD? Câmbio automático? pffff...) e muito menos tem um design arrebatador de olhares e curvas sinuosas (parece um desenho de criança da 2ª série), mas, como sempre disse em diversas matérias por aqui, aprecio a beleza dos pequenos detalhes e com este carro aprendi muito mais do que com qualquer outro que já tenha tido contato (sem recalques, Gorete!).

A partida pela manhã requer um apagão proposital. Pé na embreagem, um toque leve na chave para "lambuzar" os cilindros com óleo e não forçar a partida. Desligo a chave, uma bombadinha de leve no acelerador em concomitância com o novo giro da chave e a mais uma ou duas bombadinhas para estabilizar a marcha lenta. Pé na embreagem, pé no freio e o mesmo pé no acelerador (puntataqueando), marcha e aquele cheiro inconfundível de gasolina e óleo invadem a cabine. Simbora pra rua ganhar o dia! Semanalmente a conferência dos fluidos é obrigatória, bem como completar os níveis. Como todo carro de 215.000 km rodados com o motor ainda standard.

Sim senhores, aquela MILF deliciosa que vocês devoraram outrora em textos porno-auto-gráficos vem se demonstrando mais madura do que pensávamos: ela bebe um pouco além da conta e fuma um pouco além do esperado, mas nada que faça perder o tesão. Pelo contrário. Geralmente imagino-a como uma senhora de cerca de 30-e-alguns anos, em um belo e decotado vestido floral estrategicamente até o meio da coxa, bebendo um delicioso whisky e enebriando o ar com um belo charuto #2. Tá, beleza, é uma cena meio forçada, mas "a beleza está nos olhos de quem vê" (ou na mente do tarado que imagina). Ainda assim, gosto da interação que ela exige, mas sem parecer.

Ainda sobre o Prêmio (agora sem devaneios), da última atualização dela aqui no blog para cá, pouca coisa mudou, mas este pouco deu uma nova cara à ela. As rodas de Alfa Romeo 166 foram vendidas para pagar algumas contas pendentes e, para ser sincero, eu estava bem desmotivado à empreitada de adapta-las corretamente ao carro. Elas foram montadas em uma VW Saveiro BX de um amigo. Elas seriam trabalhosas para adaptar e as opções disponíveis de torneiro aqui no DF não me inspiravam confiança para este tipo de serviço. Como as coisas para VW são infinitamente mais fáceis neste país, a Saveiro recebeu as rodas com adaptadores (do jeito que eu NÃO queria montar) e já desfila por aí. Felicidades ao novo dono!

Como o carro da patroa estava precisando urgentemente de pneus novos, aproveitei que o amigo Marcelo Moraes não utilizaria o conjunto que veio em seu novo projeto (um Peugeot 106 1.6 16v Turbo que em breve estará por aqui) e peguei pra mim com a promessa para pagamento futuro em ajuda na aquisição de peças para seu PUG. Tratava-se de um jogo de pneus Goodyear de medidas 175/65-14" que eu planejava colocar na Gee montados nas rodas Momo Star 6,5x14" que ganhei do amigo Leonardo Perez. As rodas e pneus 13" originais do Prêmio seriam montadas no Siena pois estavam em ótimo estado.

Na prática, a teoria é bem diferente! Os pneus ficaram grandes e as rodas ficaram para fora demais dos para lamas. As caixas de roda do Prêmio são pequenas e estreitas e isso fez que num trajeto de 8km um dos pneus ficasse marcado e uma das presilhas do para choque traseiro fosse arrancada. Desmontei as rodas naquele mesmo dia para evitar maiores prejuízos.

No dia seguinte levei para um borracheiro fazer a troca e colocar os pneus 14" nas rodas de ferro originais do Siena. O Prêmio ficaria com as rodas originais 13" por mais um bom tempo até encontrar os pneus corretos (165/60-14" de Kia Picanto). Por coincidência, nesta borracharia havia um jogo em muito bom estado de quatro pneus nesta medida a um preço muito bom. Pedi para testar e saí de lá com eles. O Siena ganhou pneus novos e o Prêmio com o jogo de rodas de época com pneus certos. Algumas voltas a menos na suspensão de rosca dianteira do Prêmio e foi só fazer o alinhamento para sorrir igual criança. Minha felicidade só seria maior se conseguisse $$$ pra não ficar tão apertado naquele mês, pois ainda precisava abrir a caixa de câmbio do Siena que estava com a 3ª marcha banguela.

No trabalho, os funcionários perceberam meu entusiasmo com o novo setup. Uma das colaboradoras comentou que precisaria de pneus para seu carro e eu ofereci uns que eu tinha guardados do Renault Sandero (185/65-15") da minha mãe. Não eram novos, mas ainda rodavam bastante e estavam ocupando espaço. O preço foi exatamente o que paguei nos 165/60-14". Um rolo danado onde, no fim das contas, só fiquei devendo ao Marcelo os pneus que estão no carro da patroa.




Quem acompanhava, já sabia que o interior havia recebido um volante Nardi vindo de uma Alfa Romeo 155 Elegance. Com a ajuda de um amigo, adaptei-o a um cubo nacional da Lotse, mas mantive a cobertura emborrachada que veio no cubo original da Alfa. Algum tempo depois consegui outro volante semelhante, que veio com a manopla de câmbio em madeira. Este volante eu passei para um amigo do RJ (foi parar num VW Santana GLSi) e a manopla tenho guardada para uma adaptação posterior (nesse rolo todo, ainda fiquei com um volante Momo que era do Dennis Zanolla em troca de um Lotse Dakar). Para que os engarrafamentos não sejam tão monótonos e irritantes, foi instalado um toca-fitas Alpine vindo de uma Alfa Romeo 164, que fora ganhado de presente do amigo André Luiz. Ele toca um par de coaxiais e um par de tweeters instalados nas portas dianteiras e um par de triaxiais e outro par de tweeters instalados no tampão traseiro. Acreditem ou não, todos os falantes são da década de 90 e tocam bem. De resto, tudo original e funcionando corretamente. As luzes do check-control acendem, as do painel também, o ar condicionado gela que é uma beleza e o veludo das forrações (um belo veludo, por sinal) está em bom estado geral, sem rasgos ou esgarços demasiados.

Eu fiquei devendo algumas fotos melhores do interior, então aqui estão:





Infelizmente, por mais cuidado que se tenha, um carro de uso diário costuma sofrer bastante. Algumas marcas aparecem com o tempo, outras por acidentes, algumas por negligência (sua ou de terceiros)... mas aprendi a apreciar cada uma delas de uma forma diferente. Hoje já não me estresso pelo para choque trincado (daquela batida que me fez trocar as lanternas traseiras) pois sei que ele será reparado em breve, junto com a pintura de algumas peças para harmonizar o exterior. Não me aborreço com os pontos da pintura queimada que vão aparecendo ao longo do teto, mala e capô. Tento me concentrar em mantê-la sempre limpa, evito estacionamentos abertos, priorizo garagens, revezo de carro com meu pai para atender clientes que sei que não tem estacionamentos seguros, busco abastecer em postos confiáveis, tento evitar os abusos do pé direito (afinal, são 215.000 km!)...


... mas o tempo é um aliado (em alguns casos) e um inimigo (em outros).

No quesito manutenção, há cerca de cinco meses atrás ela recebeu uma revisão bastante extensa para a troca de algumas borrachas ressecadas, mangueiras, limpeza e regulagem do carburador (este já está pedindo arrego)... e a instalação do kit de buchas em poliuretano (PU) na dianteira. Este kit fez com que a suspensão ficasse um pouco mais duro e arisco, ainda mais em conjunto com a suspensão de rosca da Fênix com amortecedores de maior carga e o novo setup de rodas/pneus, mas nada que a deixasse impraticável para o uso diário. Quem está acostumado à carros modernos, acha o Prêmio (em sua configuração atual) bastante duro, mas a firmeza e a tranquilidade que ela passou a contornar as curvas são capazes de arrancar sorrisos de quem dirige e palavrões de quem se senta ao lado do motorista. Digo que ela está no limite do conforto para uso urbano.

Há algumas semanas decidi limpar novamente o sistema de arrefecimento que já completava 10.000 km rodados. Como não encontrava o fluido orientado pelo manual, segui a dica de alguns amigos e esgotei o sistema para passar a utilizar outro aditivo. O que mais se assemelha em sua composição ao utilizado pela fábrica é o Petronas Coolant 11 Verde - Pronto Para Uso. Com o sistema limpo e livre de resquícios do fluido anterior, limpei o reservatório de expansão e completei com 4 litros do aditivo.

Durante a semana enfrentamos severos engarrafamentos, para-e-anda do transito, liga-desliga do motor e a temperatura apresentou-se sempre estável e a ventoinha armando sempre um pouco acima aos 90° C dado o calor intenso que tem feito nesses dias e a baixa umidade relativa que são comuns no Centro-Oeste nesta época do ano.


Nessa hora alguns devem estar chateados pela venda das rodas de Alfa Romeo 166 e por conta do projeto ter deixado de ser um "OEM+" para debandar para o lado do "Period Correct" (sim, as rodas Momo Star são datadas de 1993), mas isso eu encaro como correções de trajeto. Com um pouco mais de tempo, grana, paciência e estudo, alternativas melhores virão para dar seguimento a este projeto.

Dá uma canseirinha tomar os cuidados necessários e a logística para não deixar seu carro exposto, mas a verdade é que o prazer de guiar um carro antigo no dia a dia, de receber os elogios pelo bom trato ao carro, despertar lembranças que animam o dia de uma pessoa, conhecer pessoas que são tão apaixonadas pelo modelo como você e trocar inúmeras ideias com eles sobre isso... são as delicias que só um carro com história pode te dar.

Como dizia minha avó, "se não vai por bem, vai por mal"! Mas no meu caso posso dizer-lhes: Há males que vem para o bem!
Me desfiz de um projeto de longa data para ter um teto e fiz dela (a Gee) algo mais adequado à um período que vivi e curti bastante.

Permita-se!